Alice e seus grilos falantes
Ao nascer Alice era branquinha como a neve e com enormes safiras azuis no lugar de olhos, safiras que brilhavam interessadas em tudo ao seu redor. O primeiro choro foi inconstante, daquele momento em diante já identificávamos que seu humor era engraçadamente alternado. O choro parou e a vontade foi embora como veio num piscar de olhos.
Ao ser levada para casa, muito se interessava por barulhos diferentes e a as cantorias de outras horas eram interrompidas por seu balbuciar. E naquele frio e gélido lar a mesma foi criada por um fazendeiro tristonho e amargurado pela liberdade que lhe foi tirada, por uma moçoila de sorrisos curtos que a muito era obstinada em encontrar o amor verdadeiro que fez questão de apagar da sua vida recalcada. E ainda ali dentro tinha a companhia do Anjo calado, um anjo que muito lhe era protegido com o silêncio abafava palavras.
Por volta de seus cinco aninhos descobriu que este anjo nada mais teria durante sua vida para contar, a não ser que assim se quisesse fazer! O porquê ela não entendia mas veio, a saber.
Ainda mocinha alguns Malfeitores em sua vida resolveram entrar, eram espíritos ruins que lhe confidenciaram segredos terríveis e pronunciaram que o final da infância havia chegado e com ele veio também à explicação do Anjo calado.
“- Nada mais de brincadeiras mocinha, existe agora uma casa para se limpar, um mundo a provar mesmo que não lhe peçam”.
- Algumas verdades que deve calar por amor ao próximo – vamos perca as noites de sono e chore em silêncio, e que somente o seu anjo possa enxergar. Este mesmo anjo do qual roubamos as palavras e que para amenizar a sua tristeza, lhe demos um caixa dentro dela encantados os grilos falantes encontrará.
- “Faça bom proveito deles e”:
- PORÉM CALE-SE SEMPRE QUE EXISTIR A VONTADE DE FALAR!".
Como assim declamado por estes Malfeitores o mundo para Alice perde o brilho, a inocência de saber sonhar e tornar este sonho realidade esvai-se. Ao olhar para o Anjo, imutável estava à caixa ao seu lado essa que sempre teve pavor de abrir, talvez por medo dos grilos ou sabe-se lá o que!
E ainda mais mocinha ganha um presente, uma boneca essa sim muito falante e desordeira, uma boneca com suas feições. Enquanto crescia via sempre ao seu lado a boneca enfeitando-se a resplandecer e o anjo cada vez mais calado a entristecer.
O fazendeiro revolveu que uma viagem deveria fazer e nesta viagem perdeu-se num entardecer, a moçoila com isso perde a esperança do amor e passa os dias a gritar e declamar que Jesus assim lhe fez padecer no intuito de comida e vida lhes trazer.
O tempo passa, Alice cresce cada vez mais e neste mundo de silêncio numa bela tarde de domingo descobre entre os pertences guardados do fazendeiro, uma caixa com uma linda maquina encantada.
A maquina torna todos seus pensamentos sejam eles tristonhos ou alegres em histórias da carochinha. Ainda nesta tarde inebriada com a descoberta Alice perde-se entre palavras encharcadas de lagrimas, e em meio a este alvoroço de sentimentos e lembranças tristes muito antes guardadas, com a Boneca e o Anjo calado ao seu lado na euforia de suas emoções contidas ela esbarra na caixa de grilos que saem saltitantes e mais falantes ainda a declamar:
- “O mundo está prestes abrir-se ao Amor!”.
Mesmo sem entender e nem saber o que fazer, Alice guarda todos os grilos novamente na caixa pela certeza que não lhe pertencem, mas não esquece as palavras um pouco antes cantadas.
Os dias passam entre nuvens e muita chuva, os sonos tornam-se ao mesmo tempo calmos e angustiados, afinal que Amor é esse qual esperança teima em existe. Após anos de espera Alice descobre que tudo irá mudar.
Os Caminhos de Alice
Após algum tempo Alice ainda escrevia, sim escrevia, porém não com o mesmo ímpeto e por algum motivo as palavras foram perdendo seu gosto de desabafo, choro, o gosto amargo. Tornaram-se repetitivas, cansavam sua mente com a mesma dor.
O quarto, seu recanto já não lhe parecia tão grande, e nesse querer não querendo ela decide desbravar o mundo. Hora experimentando bebidas estranhas, doces, amargas. Correndo contra um tempo que ao certo ainda não sabia a importância. Procurando por pessoas, afetos, bem querer...
E neste turbilhão de novos sentimentos a caixa de grilos falantes foi guardada junto a outros pertences, o Anjo Calado que antes não lhe faltava na presença fechou-se em suas asas e decidiu que este mundo não iria desbravar, pois aquele momento somente a Alice pertencia. Junto ao Anjo ficou a Boneca Falante que a cada dia que passava mais calada ficava mesmo ainda dentro de suas travessuras sem a mesma vontade de outrora.
Assim mesmo que suas duas companhias mais preciosas não pudessem compreender, Alice se distancia de todos.
Ela partia aos poucos, o caminho de ida cada vez mais distante se tornava e em meio a tantas caminhadas, devaneios, em muitos pontos esbarrava em personagens que habitavam um pouco antes seus sonhos de criança, encontrou e conheceu todo cada qual a seu modo como será descrito logo abaixo.
Só um momento....
Antes de mais nada algumas explicações vem a calhar. Este conto não é infantil como podem perceber, conto em outras palavras e sobre uma visão única a história de alguém. Se em algum momento me esquecer de pessoas, não será por que não as tenho com apreço e sim pela ordem que minha mente faz dos fatos.
Prosseguindo...
Durante uma dessas caminhas, aqueles olhos interessados de Alice se deparam com um Cavaleiro.
Cavaleiro este que não lhe parecia mesmo tão bonito, talvez nem tão inteligente e nem um pouco amigo. Mas este alguém que lhe parou a atenção e bem mais. Este cavaleiro nada cavaleiro na verdade tinha o dom de saber ouvir, acariciar suas magoas e quando a lagrimas não queria secar, ele conseguia lhe trazer a ânsia de viver. Durante algum tempo isto lhe trouxe paz. Calma...
Mas a cada dia Alice partia para mais longe, o cavaleiro cansou e num dos momentos de distração que parou para respirar. Foi deixado para trás.
Alice logo achou que ele lhe alcançaria, mas isso não ocorreu, teve a certeza de que se voltasse o encontraria, porém esta vontade não sentiu e continuou seu caminho sem os carinhos, sem aquele que lhe ouvia e sem o lenço para secar suas lagrimas.
É essa não foi sua única partida, sempre que se apegava a alguém à vontade de seguir a atingia e dentre tantas partidas o caminho cada vez mais fechado estava, cheio de curvas, tentações, noites às claras, palhaços, malabares, mais bebida, músicas encantadoras, algumas frutinhas proibidas e muito divertimento.
Só no final de cada jornada ela entendia e voltava-se a sua solidão da estrada, enfrentou assim dias de chuvas, ventos cortantes, sol escaldante, várias pedras pelo caminho, algumas maldades a vista e sempre que cada jornada chegava ao fim mais uma cicatrizes no seu corpo somente para não esquecer o que viveu.
Aos amores familiares, sempre sobrava tempo para escrita de suas cartas eram curtas e pouco contadas, muitas vezes com algumas mentiras e sempre muito amada.
Em alguns momentos lembrava-se do Cavaleiro, pensava em talvez em lhe escrever, mas não sabia como e nem o por que e assim foi até que a lembrança ficou tão vaga que nem precisou lembrar de se esquecer. Daquele Cavaleiro que sem quase nada talvez um pouco lhe fez crer.
Alguns pensamentos inervantes de alguém incoerente, displicente e amante incondicional.
Dia após dia
Já algum tempo estava tentando criar forças e parar, é parar tudo, repensar tudo...
Estou conseguindo, muito complicado, muito calado, estressante ao extremo, mas estou conseguindo!!!
E no meio deste caminho toda é triste descobrir que pessoas mentem, omitem, fingem e manipulam... Infelizmente também estou mentindo, omitindo e manipulando para me manter viva no meio dos lobos. Em quem acreditar, diria uma amiga minha que apenas no seu cigarro, fato consumadissímo, estou acreditando somente no meu cigarro.
Já estou até repensando todo os ano, e este foi um dos mais complicados, afinal tivemos:
1º A descoberta de um amor, que não é meu mas é amor daqueles que envolve paixão;
2º O retorno e descoberta de amigos, que muitam me ouviram, muito aconselharam e ainda estão presentes, para quase tudo que precisar;
3º A volta para casa, não a minha casa, não a que eu sonhei, mas sim a que tenho e que me tem;
4º Mais calma com os pais, irmãos e parentes, talvez que por toda essa calma, muito mais distante;
5º Muito trabalho, sem férias ainda programadas, mas muito trabalho e dentro dele muitas decpeções;
6º Aprendendo a lidar com dinheiro, talvez um pouco tarde, talvez não ainda da forma certa, com muitos gastos desnecessários, algumas dívidas, mas aprendendo;
7º Muitas baladas, várias que ficarão para a história como as mais engraçadas, as mais tristes, as mais solitárias, as mais odiadas, as mais longas, as mais caras, mas muitas badalas e em várias delas a volta sozinha para casa;
8º Adquiri poucos pertences materiais, perdi muitos deles no meio desse ano, mas o que tá ficando é meu e ninguém me tira;
9º Um lugarzinho novo para desabafar, montando com ajuda de algumas pessoas, mas completo e recheado somente das minhas idéias, dores, desilusões, expectativas e desabafos:
10º Muito silêncio em meio a essa bagunça toda, algumas viagens, muitas fisicas e outras tantas espirituais;
11º Várias merdas feitas, mas elas me ensinam que o mais fácil nem sempre é o correto:
12º Algumas paixões que resultaram agora entendo em graças a Deus, quase nada. Talvez elas não fossem o que preciso e Eu somente seja o que elas desejam.
Em meio a isso tudo o ano está realmente acabando, das expectativas do início dele sobraram poucas coisas concluídas e muito pouco necessidade de concluí-las...
Para o novo ano, nenhuma grande idéia, talvez quem sabe curar as feridas deste tempo que passou....
E para quem ainda acha que a Márcia não tem mais jeito, que ela não aprende, que ela está morta... Na verdade o meu silêncio e talvez a minha inocência manipule o futuro que me prometi como perfeito... E mesmo quando não estou sei tudo que acontece e essas mentiras todas eu finjo que acredito!!!!!
Estou conseguindo, muito complicado, muito calado, estressante ao extremo, mas estou conseguindo!!!
E no meio deste caminho toda é triste descobrir que pessoas mentem, omitem, fingem e manipulam... Infelizmente também estou mentindo, omitindo e manipulando para me manter viva no meio dos lobos. Em quem acreditar, diria uma amiga minha que apenas no seu cigarro, fato consumadissímo, estou acreditando somente no meu cigarro.
Já estou até repensando todo os ano, e este foi um dos mais complicados, afinal tivemos:
1º A descoberta de um amor, que não é meu mas é amor daqueles que envolve paixão;
2º O retorno e descoberta de amigos, que muitam me ouviram, muito aconselharam e ainda estão presentes, para quase tudo que precisar;
3º A volta para casa, não a minha casa, não a que eu sonhei, mas sim a que tenho e que me tem;
4º Mais calma com os pais, irmãos e parentes, talvez que por toda essa calma, muito mais distante;
5º Muito trabalho, sem férias ainda programadas, mas muito trabalho e dentro dele muitas decpeções;
6º Aprendendo a lidar com dinheiro, talvez um pouco tarde, talvez não ainda da forma certa, com muitos gastos desnecessários, algumas dívidas, mas aprendendo;
7º Muitas baladas, várias que ficarão para a história como as mais engraçadas, as mais tristes, as mais solitárias, as mais odiadas, as mais longas, as mais caras, mas muitas badalas e em várias delas a volta sozinha para casa;
8º Adquiri poucos pertences materiais, perdi muitos deles no meio desse ano, mas o que tá ficando é meu e ninguém me tira;
9º Um lugarzinho novo para desabafar, montando com ajuda de algumas pessoas, mas completo e recheado somente das minhas idéias, dores, desilusões, expectativas e desabafos:
10º Muito silêncio em meio a essa bagunça toda, algumas viagens, muitas fisicas e outras tantas espirituais;
11º Várias merdas feitas, mas elas me ensinam que o mais fácil nem sempre é o correto:
12º Algumas paixões que resultaram agora entendo em graças a Deus, quase nada. Talvez elas não fossem o que preciso e Eu somente seja o que elas desejam.
Em meio a isso tudo o ano está realmente acabando, das expectativas do início dele sobraram poucas coisas concluídas e muito pouco necessidade de concluí-las...
Para o novo ano, nenhuma grande idéia, talvez quem sabe curar as feridas deste tempo que passou....
E para quem ainda acha que a Márcia não tem mais jeito, que ela não aprende, que ela está morta... Na verdade o meu silêncio e talvez a minha inocência manipule o futuro que me prometi como perfeito... E mesmo quando não estou sei tudo que acontece e essas mentiras todas eu finjo que acredito!!!!!
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