Último texto

Esse será o último pensamento exposto. E acho que nele irão se misturar vários sentimentos:

Tristeza - escrevo para meus amigos, o quanto os aprecio e sinto sua falta ou presença. Como eles são importantes na minha vida, divido com eles dores, temores, prazeres, felicidades, expectativas e idéias. Mas não pretendo mais continuar com isso, afinal não são somente meus amigos que enxergam este meu lugar.

Felicidade - de saber que apesar da tristeza de deixar meu cantinho só pra mim, agora poderei desfrutar de outros sentimento, afinal eles que aflingiu meu coração por todo esse tempo acabou, teve seu ponto final e agora começa algo novo.

Raiva - de saber que pessoas falam demais, talvez nem saibam o que falam. Como você é burra, idiota, infantil, imatura, mentirosa, fraca, alias nem todos os adjetivos perjorativos seriam o suficiente para te descrever. Alguém que não tem coragem de gostar com sinceridade, que gosta de literalmente APANHAR para se sentir amada, pessoa essa que desrespeita pessoas, não valoriza seu corpo e inteligência, utiliza tudo isso como material. Talvez seja por isso que não é feliz, que tem problemas com amigos, amores e familia. O que mais me dói é sentir que parei meu coração por você, por tão pouco e ainda fui obrigada e ouvir e ser manipulada por isso. Mas aprendo, posso até demorar, sofrer e chorar, aprendo. Bom, você é NADA!

É isso, não fica nem perto do desabafo que desejo ter, mas não perderei mais tempo com isso não merece...

De agora em diante o blog e meus pensamentos voltam a ser só meus!

Dor

Uma bosta sentir DOR,
todo mês a mesma coisa e não consigo me acostumar
parece que é sempre mais forte
que vou vomitar
a dor me deixa tonta
tem horas que sinto vontade de morrer
não dá pra explicar essa dor,
não dá nem pra pensar
por que não acaba logo
só mais um dia e tudo volta ao normal
só mais um dia....
Sem nome

Introdução

São Paulo, 11 de novembro de 2008.

Repórter:
- Durante a premier de Crepúsculo vimos que você estava acompanhada do Ator Marcos Duarte?
Juliana Araújo:
-Sim, meu companheiro de elenco no novo filme de Carlos Barreto.

R: Existe algum tipo de relacionamento entre vocês, estão se conhecendo?
JA: Estamos ensaiando para o filme, fomos convidados para a Premier como todo o elenco que estava ao nosso lado nas fotos, não entendi ainda como editaram para aparecer somente nós dois, somos amigos e ele é casado com uma amiga de elenco que não pode comparecer.

R: Você nos diz então que está solteira?
JA: Na verdade gostaria de nos atermos a entrevista sobre meu novo filme, CARNE VIVA.

Desliguei o televisor irritada, como posso ainda tentar ter este tipo de entrevista até parece que meu trabalho não significa nada, as pessoas tem sempre que tentar arrumar alguém para mim, droga e ainda é só manhã de segunda-feira. A semana será longa.

- Mamãe, não acho minha mochila?

Como adoro essa voizinha, mesmo que seja para me tirar da cama, nem parece que já se passaram cinco anos.

Aos gritos:
- Mamãe, mamãeeeeeeeee?

Um pulo na minha cama parece até um anjinho com esses cabelos enrolados e todo despenteado, a roupa vestida ao contrário, afinal ele voltou da casa do Pai dizendo que já é um homem e que deve se arrumar sozinho, até o hoje ainda me paro pensando que está criaturazinha foi a melhor coisa que me aconteceu na vida. Saio dos meus devaneios enquanto ele pula na minha cama com uma intensidade cada vez maior a ponto de começar a fazer barulho nas molas.

Entre vários pulos e beijos:
- Mamãe será que minha mochila ficou na casa do papai? E agora como vou pra escola? Você compra cadernos novos pra mim, quero uma mochila do BEN10? Mamãe o estojo também pode ser do BEN10, mamãe?

Respiro fundo ainda tentando abrir os olhos:
- Oi meu anjinho, calma que vou levantar para encontrar sua mochila, tenho certeza que está naquele lugar monstruoso e devastado por um furacão que é o seu quarto. Mas tenha calma, por favor, e desça da cama, alias vamos primeiro escovar os dentes e lavar o rosto, tudo bem?
- Tá bom, mas já escovei os dentes, olha! - fazendo caretas e com a boca aberta ele me mostra todos os dentinhos ou quase todos, mas na verdade nem precisava citar que já havia escovado os dentes, pois vejo um rastro de pasta em sua camiseta da escola.

Levanto tentando não sorrir, mas é impossível quando se é acordada por um anjo tão lindo e arteiro.

Vou para o banheiro e olho no espelho, mas o que vejo não me agrada, mas uma ruga, tá sei ela é bem pequena, mas e uma ruga, marcas de expressão ou algo do gênero, sei que é a primeira mas me preocupa. Prometo que vou para de fumar a partir de segunda, hábito esse que adquiri com 18 anos e até agora não consegui largar, tirando uma pausa por 14 meses, tempo da gestão e amamentação.

Tenho 26 anos, sei que ainda sou nova, mas me preocupo um pouco com a aparência apesar de até me achar bonita, afinal minha profissão depende dela. Sou atriz formada a pelo menos 10 anos, isso mesmo 10 anos, sei que essa sempre foi a profissão que desejei, desde pequena ficava na frente do espelho imitando grandes Divas do cinema e da TV, às vezes durantes as reuniões de família simplesmente inventava uma cena só para fazer rir minha mãe e todos os outros ouvintes, mais ou menos 3 Tios irmãos de minha mãe e mais 2 Tias irmãs do meu pai. Ele faleceu um ano depois que nasci, então a única forma de manter viva a memória dele, além das incontáveis fotos que Mamãe possui espalhadas pela casa era através das reuniões familiares que sempre acabavam de forma triste, afinal minha mãe tinha o péssimo hábito de pegar os álbuns de fotos e rememorar os 3 curtos anos que passou ao lado de meu pai.

Voltando um pouco a minha história.

Me chamo Juliana Cordeiro Araújo, nascida dia 26/02/1983, sou pisciana, filha única,tenho um filho lindo chamado Gabriel, moro em São Paulo, desde que me entendo por gente, famosa paulista da terra da garoa, apesar da profissão e de ter viajado o Brasil todo em peças de Teatro são pelo menos 50, novelas conto umas 16, 2 filmes e outros eventos menos importantes, adoro minha cidade. O fato de parecer que a cidade nunca dorme, dela ser um luxo e um lixo, tudo isso numa mesma quadra, de existirem todo tipo de pessoas vivendo a aceleração urbana. Tenho os olhos verdes, sou magra, 1,70 uma boa altura, pareço-me muito com meu Pai, cabelos negros e lisos, não tão compridos em decorrência do filme que conclui a poucos dias que me obrigaram a cortar minha madeixas. Tenho cinco tatuagens em lugares estratégicos também por causa da profissão, bebo socialmente e fumo cinco cigarros por dia, as vezes mais quando estou bebendo. Moro apenas com meu filho em São Caetano do Sul, cidade com estilo interiorana que faz parte do grande complexo de bairros e pequenas cidades que a Grande São Paulo.

Mudei-me para esta cidade há seis anos, exatamente quando me descobri grávida. Morava na Vila Madalena, mas nunca achei o bairro propício para criação de uma criança.

Mais para frente falo um pouco mais de mim, a voizinha angelical continua começou novamente a chamar por mim.

- Mamãeeeee não acho ela em lugar nenhum, me ajuda o favor. - ele nem precisa pedir se soubesse que faria tudo ou qualquer coisa para vê-lo feliz.

Após lavar o rosto, escovar os dentes e prender meus cabelos que não são tão arrumados e gloriosos como na novela, quem me dera alguns dos meu fãs me vissem acordar com certeza se espantariam como sou normal como qualquer outro ser humano pela manhã.

Corro para aquele terror de quarto, já com um suspiro preso a garganta, seria difícil achar até um tanque de guerra em meio a bagunça. Vamos nos arriscar neste campo minado!

Ao entrar no quarto não consigo achar nem o Gabriel, que já demonstrar pelo tom de voz indícios de desespero ou esperança em comprar tudo novo, as crianças são engraçadas, para elas tudo é fácil e desordenado.

Com calma, afasto algumas peças de roupa para o lado direito, alguns outros brinquedos para o lado esquerdo e vou adentrando nesta guerra, juro que arrumo este quarto amanhã. Já cansado Gabriel espera que sua heroína ache ou não a mochila, pronto enxergo ao longe algo parecido a uma mochila, sim tem umas bermudas ainda por cima, dois tênis e uma mala vazia, resquícios do retorno tardio de Gabriel da casa do Papai. Pronto apareço triunfante com a mochila em minhas mãos para tristeza do meu anjinho que já fazia mentalmente um cálculo meio absurdo dos itens que iria adquirir do BEN10 (um personagem de desejo animado que ele me faz assistir durante horas no sábado pela manhã).

Primeira missão do dia cumprida, agora vamos para o café da manhã e em seqüência para segunda troca de roupa de Gabriel, pois sua camiseta não é digna nem de um lutador de vale tudo de tão suja que está.

- Mamãe, quero sucrilhos de café da manhã, e no meu lanche da escola quero muitas balas e chocolates, pode colocar uma Coca-Cola também. Mamãe ontem comi pizza na hora do almoço e a noite teve MAC Donalds, posso comer de novo hoje, por favor?

Ignoro todos esses pedidos, quando engravidei de Marcelo Nogueira (famoso ator com quem contracenava na novela das sete, após apenas seis meses de relacionamento, fique confusa e feliz, acho que ele somente ficou confuso, parece não entender o que é criar uma criança, os problemas que essas dietas de FAST FOOD podem fazer a um estomago frágil, aos músculos e ossos em crescimento. Na verdade sabia desde o começo que Marcelo não nasceu para ser pai, essas coisas fazem parte de quem somos. Terei mais um conversa com ele.

Enquanto isso preparo o lanche de Gabriel com uma fruta, ele adora goiabas como a mãe, um lanche natural que ele diz não ter muito gosto e uma barra de cereal. Ok que minha dieta também não das mais corretas, mas pelo menos tento.

Olho por cima dos ombros e vejo sua carinha de indignação perante o preparo, mas sem reclamações e seu olhar de suplica esperando resposta para os pedidos de almoço e janta.

Falo com um ar de autoridade:
- Biel, a mamãe já disse que comer as coisas que o Papai dá não ajudam você a ficar forte e crescer mais rápido, e se você não ficar forte e rápido como irá ganhar do seu amiguinho no Judô.
- Mas só hoje Mamãe, por favor? - às vezes é difícil resistir aqueles olhinhos, mas sou forte.
- No final de semana podemos negociar ok?
- Tá bom. - quase que resignado como se essa decisão fosse comprometer o resto de sua vida.

Tomo um rápido café e tento não acender um cigarro na frente do Gabriel, estou me policiando para ensinar o que é melhor para ele. Assim que acaba seu banquete com sucrilhos que não são servidos todos os dias, apenas duas vezes por semana, no restantes deve tomar leite, suco ou vitamina acompanhado de um pão quentinho, tento ao máximo não fazer da vida daquele lindo anjinho um quartel general.

Ao olhar as horas, novamente me vejo atrasada e ainda sem nem me aprontar. Sempre fui metódica e gostei de levar horas para me arrumar, separar as roupas com calma, experimentar várias peças, desistir no meio do caminho das combinações e recomeçar tudo novamente, porém está cada vez mais difícil ter este tempo para mim.

Corro para o banheiro e tomo um banho rápido, são 7:15 e tenho que deixar o Gabriel na escola e chegar cedo ao Teatro que é no Centro Velho de São Paulo, coisa que levará no mínimo 2:00 horas, nunca se esqueçam do trânsito infernal de São Paulo.

Coloco uma calça jeans e uma regata branca afinal não está calor mas também não está frio, o tempo típico de São Paulo sem a garoa, pego uma jaqueta de couro, a minha preferida e mais casual, amarro os cabelos num rabo de cavalo, só um pouco de maquiagem a cada ano que passa estou entendendo o que é ficar velha a medida que meus potes de maquiagens vão ocupando mais espaço na pia do banheiro já tão pequena.

Saio em disparada pela sala, tentando lembrar senão esqueci nada, mas sei que sempre esqueço. Desligo o televisor, procuro a mochila e o lanche de Gabriel e corremos para o Carro. Moro num prédio grande quase no centro de SCS, procuro as chaves de casa as chaves do carro e saio para o hall chamado o elevador, Gabriel no meu encalço, as vezes imagino que ele ache a mãe louco, não existe um dia em que saímos com calma de casa. Quando o elevador para em nosso andar o 5º lembro-me da minha bolsa e desisto de descer nele desça vez, entro novamente em casa como um furacão e encontro ela ali, parada em cima da mesa, minha bolsa parece ter pernas em determinados dias, juro que estava com ela no ombro.

Saio novamente para o hall na esperança de que o elevador ainda estivesse parado no meu andar, mas não está e o chamo novamente. Durante todo esse processo Gabriel me olha incrédulo, realmente deve pensar que a mãe é louca.

Após alguns minutos chegamos ao carro, Gabriel se recusa a usar a cadeirinha, coisas do pai dele com certeza e passamos pelo menos 10 minutos discutindo sobre o malefícios da falta dela, apesar de ser atriz não consigo ter performaces muito boas com meu filho, as vezes ele é mais teatral que eu. Após algumas promessas que com certeza não conseguirei cumprir, ele se senta. A escola fica a dez minutos de casa, mas o trânsito não ajuda.

Pronto consegui deixá-lo, as vezes até me esqueço que sou tão nova. Meu celular toca e olha que ele não é de tocar muito. Estou a caminho do trabalho, sei com certeza que chegarei tarde, mas isso não me preocupa só espero chegar a tempo do ensaio geral, afinal minhas falas estão decoradas, essa é uma facilidade que sempre tive decorar textos como ninguém. Ao atender é Joana, uma grande amiga que faz parte da peça comigo e que me avisa estar atrasada, alias uma das poucas amigas que tenho.

- Ju, estou atrasada tem como avisar o pessoal para não me esperar?
- Jô, mas também estou no trânsito, acho que não existe Santo Cristo que nos faça chegar a tempo, nos falamos mais tarde.

É isso, não somos de meias palavras, grandes amigas são assim não precisam de muitas palavras é melhor guardar para os momentos de necessidade. Alias preciso confessar que Joana apesar de ser grande amiga e de longa data, pelo menos 9 anos, começamos o teatro juntas e realmente ela difere da maioria das pessoas, tem o estereotipo dos cantores loucos e drogados da década de 70, mas acho é exatamente isso que me prende a Ela, não preciso de muitos disfarces para ser verdadeira, muito do contrário não preciso de disfarce nenhum. Lembrando qu ela é Madrinha de Gabriel, situação essa que não aceita de muito bom grado, afinal não gosta de crianças, não sabe dar presentes a crianças e muito menos entende delas...

Isso me lembra uma ocasião, separei-me de Marcelo logo após o nascimento de Gabriel na verdade nem chegamos a estar juntos só o comuniquei sobre a gravidez e ele fez por entende que não estava preparado para ter um filho mas que assumiria de prontidão o registro e possíveis afazeres de PAI. Enfim, precisava passar um final de semana em turnê com o teatro, na verdade seriam apenas 48 horas e pedi sua ajuda, nada mais justa do que a Madrinha ter um tempo com o Afilhado. Enfim Joana aceitou, a avisei que Gabriel tinha apenas 3 anos e seis meses e que poderia estranhar um novo ambiente, sua desordenada casa, alias se é que se pode chamar aquele apartamento de casa prefiro não descrever, talvez entenderão melhor com a narrativa.

Preocupadíssima deixei Gabriel na sexta- feira por volta das 21:00 em sua casa, com uma lista do que ele precisava de duas mochilas cheias de roupa e brinquedos, a avisei sobre sem sono pesado e dos desenhos pela manhã. Joana me jurou de pés juntos que cuidaria dele como cuidava de seus antigos LPs maior sua paixão. Preocupadíssima parti para o Aeroporto pegar um avião o Rio de Janeiro, pré-estréia da peça CAVALEIROS. Antes mesmo de desembarcar haviam quatro chamadas do celular de Joana e pareciam urgente pois todas marcavam um minuto de alteração entre uma e outra.

Liguei já com o coração na mão e quase pegando o vôo de volta, realmente estava na fila da TAM, me atende Joana perguntando o que se deve fazer quando uma criança diz ter vontade de fazer cocô. Neste momento parei e pensei em voz alta:

- Meu Deus o que fiz com meu filho? - todos na fila olharam preocupados.

Gabriel estava decidido a usar o pinico nos últimos três dias, pois se dizia já adulto para isso. Outra vontade do pai que não sabia e nem gostava muito de trocar fraldas. Gabriel sempre foi muito auto-suficiente por ser filho único. Enfim, após algumas explicações básicas e pelo desânimo de não ter levado seu troninho para casa de Joana, a lembrei de que seria simples, afinal ela sabe qual a finalidade básica de se fazer cocô. A lembrei sobre retirar a fralda e colocá-lo sobre a bacia do banheiro e ter que olhá-lo com atenção afinal existia uma diferença entre uma privada adulta e seu troninho, diferença geométrica.

- Vou ter que ficar olhando! - grita Joana quase aos prantos.
- Sim, pois se o seu afilhado cair pode se machucar! - quase grito de volta, enquanto o motorista do táxi me olha aturdido.

Repensei a vontade de voltar para o Aeroporto mas já era tarde. Garanti que assim que pudesse ligaria de volta e que era imprescindível que ela ficasse até o final do ATO. Cheguei ainda um pouco preocupada com a situação, mas lembrei das várias vezes em que a vi vomitar nos piores lugares, ou melhor, pugueiros de São Paulo e o quanto ela já me vira fazer o mesmo e achei que agüentaria. Estava no horário e procurei me concentrar em cada detalhe da peça e esquecer meu pequeno bebê com aquele monstro que era sua madrinha.

Assim que a peça acabou liguei de volta, nem aguardei os cumprimentos.

- E aí Jô, como foi, meu filho está vivo?
- Olha, não achei que fosse tão difícil, mas no final das contas deu tudo certo. - diz uma voz sonolenta do outro lado.
- Você está dormindo? - fico aturdida com a notícia, afinal Joana nunca foi de dormir a noite, mas acho que o processo e a conclusão foram lentos e Gabriel tinha um dom de conseguir cansar qualquer um.
- Quase, na verdade esperava sua ligação e Biel está bem, fez com que assistisse pelo menos quatro vezes MADAGASCAR, alias o filme e muito bom e acho que isso me entorpeceu mais do que aqueles chatos com quem passo a noite, alias seu filho consegue ser muito mais agradável do que muitos homens adultos que conheço! E não quero comentar sobre a parte de fazer cocô, não nasci para isso, só sendo mãe mesmo para agüentar.- minha tensão era tanta que quase sorri.
- Pelo Amor de Deus, preste atenção nele, Biel tem a mania de acordar muito cedo e apronta senão tiver ninguém supervisionando! - era quase uma súplica.
- Ok, sou uma Madrinha responsável e gostei de ficar a sós com ele, mas só não me peça para ter outra conversa com o Senhor Cocô, por favor! - suspirou Joana.
- Boa noite, Jô. Me acorde assim que ele acordar, estou morrendo de saudades do meu Pequeno Príncipe. Sussurrei eu de volta já desligando o telefone.

Não era primeira vez que precisa deixar o Gabriel para minhas viagens, mas era primeira vez que Joana cuidava dele. Na verdade depois desta vez não houve outras algumas pessoas têm o dom e outras não.

Sorrri ao lembrar dessa história.

Ainda com mais 24 horas no Rio, fiquei imaginando como meu filho estaria, quase nunca me preocupava com o trabalho. Nas criticas recebidas, fui muito elogiada e sempre entendi e isso não é me gabando pois gosto do que faço e por fazê-lo bem. Não existem preocupações quanto ao desempenho quando entro no palco tudo é muito natural.

Após a estreia vou direto para o quarto e durmo, o palco apesar de natural me consome de tal forma que fico exausta, mas antes de pegar no sono ainda consigo lembrar os tempos de baladas, noitadas e muita diversão. Totalmente diferente da vida de hoje às vezes é difícil entender como gosto tanto do que sou hoje.

Lógico que sou uma mulher adulta e madura, sinto falta de alguém ao meu lado, somente não consumo muito do meu tempo pensando nisso, nunca acreditei em felicidade plena e hoje resumo minha vida a apenas feliz.

Quanto a namoros e pessoas ocupando meus momentos, dispersando a atenção que hoje é do meu filho e do trabalho acho difícil enxergar isso. O telefone do quarto toca, uma pequena pontada de desespero, o que pode ter acontecido, apesar de sonolenta atendo no primeiro toque.

- Alo.
-Senhora Juliana, é da recepção temo uma ligação na espera, pode atender.
- Claro pode passar. – Não me dou ao trabalho de perguntar que era, penso logo no meu filho. Biel o que será que a desvairada de sua madrinha fez dessa vez.
- Alo, alo? – minha respiração foi suspensa.
- Oi Ju, é o Tadeu tudo bem, estava dormindo? – Tadeu é um dos integrantes da peça – Desculpe se te acordei? – suspira ele num receio, afinal estava quase à beira da histeria.
- Oi Tadeu, não estava dormindo não apenas me assustei com o horário, somente isso. – agora estou quase envergonhada

Mulheres

Algumas são ousadas e atraentes, conduzem a noite com damas
outras são trasnloucadas e incoerentes, esperam que a noite acabe sem desonra
as que gostam de se divertir nem esperam a noite acabar
as timidas não começam a noite antes de beber
para entende-las só ouvindo o silêncio de seus corações
lhes tomando como amigas e amantes.

Sonhos

Ontem sonhei com você
não foi um sonho bom nem ruim
foi apenas a vontade que me fez lembrar você
as promessas que ficaram nas trocas de olhares
o dessejo de concluir algo que sabiamos que não estava no tempo

Ontem me deliciei em sonhar com você
talvez seja a proximidade e sincronia que temos
e ainda não sabemos o por que
o gosto do que não foi provado pelo medo que sentimos em ter

Ontem lembrei de você
a lembrança dos encontros desencontrados
das brincadeiras com terceiras intensões
como o destino brinca de nos separar

Ontem quis beijar você.

De tempos em tempos

De tempos em tempos
perdemos pessoas queridas
descobrimos mentiras nas verdades ditas
amamos e desrespeitamos aqueles que nos amam
ganhamos mais experiência e mais medo de viver
aprendemos que ser adulto não é mais tão divertido
que talvez aquele grande amor não seja pra você
e sim que outros amores surgem sem ao menos dizer por que
em alguns momentos paramos para contar as perdas e o ganhos
e entendemos que viver é tão bom quanto crescer
dá um medo danado mas a alegria de não sabe o que vem pela frente é bom demais