Paciência

Pouca paciência para as intempéries da vida quero escrever todas as magoas do mundo em poucas linhas
mentir todas a verdades do meu coração, chorar um baldo ou só um copo de lágrimas
fingir que todos esses medos são credos cheios de defeitos e entender porque tenho que permanecer no silêncio de um fugitivo
arrancar as unhas e me arranhar com plumas, desfazer refazendo malas
sentir ventar num sopro inconstante, e a qualquer brisa do mar viver um itinerante Zé ninguém
secar uma pedra, que seja ela de gelo na manhã e da verdade que bate em meu coração
descalçar pés nunca antes calçados e nos calos que se seguem amenizar uma dor limpando as feridas daquele tempo
no meu sono injusto adormecer e amanhecer sentindo cada dor do dia anterior
deixar os cabelos crescerem na expectativa de algo mudar
corta-los novamente sem nada pensar
correr, sofrer, chorar, amar, ouvir e viver.

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